Voltei…

Com muito para contar e receitas a compartilhar!!!!!!!!!!!!

 

Besotes

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Hi!

É impossível não desfilar pelo bairro da Liberdade em SP e não se admirar com as coisas para deixar sua casa linda ou pelo menos mais prática com uma daquelas engenhocas que faz de um tudo (e você roe as unhas pensando como não havia pensado naquilo antes), ou ainda, com todos os quilos a mais que já não tinha direito por provar de guloseima em guloseima os sabores mais exóticos.

Quando saio da minha casa uma das minhas missões é sempre aprender algo novo; pois bem, umê boshi não é hana umê (e…), depois de uma longa caminhada descobri que o boshi é da família da ameixeira e se faz um preparado salgado contudo, meu objetivo era fazer uma geléia perfumosa (perfumada+gostosa) com seus delicados e encarnados botões e a ideal é a hana da família da vinagreira (lembrei da Sandra, menina arretada do Maranhão e seu prato preferido: o arroz de cuxá, e leva a tal vinagreira e essa conversa fica pra outro regionalismo).

Neuroses à parte, lembrei dos ensinamentos sobre a cultura recebidos de Alice Sam, japa mais doida que eu já conheci (pensando bem a May está em uma concorrência acirrada) por escolher uma amiga tão treze como eu. Também me lembrei de que quando comprei minha primeira casa, toda a papelada aconteceu por alí.

Bom, das aquisições nem preciso comentar muito…simplesmente prazerosas e compartilhadas, ou seja, alegrias multiplicadas.

Por supuesto que ao chegar em casa uma guioza foi muito bem servida, dessa vez a compramos congelada, com o recheio de carne e legumes, que foram cozidos por 10 minutinhos em água e grelhados em um anti-aderente, o molho foi o teryiaki diluído com um pouco de água, açúcar e cebolinha picada, levemente amornado e oferecido em molheira de cerâmica de alta temperatura individual.

Escrevo hoje desta forma  em homenagem aos mangás, animes e etc. Sayonará

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Liberdade, liberdade…

Já há algum tempo queríamos ir à Liberdade, Paula e eu. Com a ponte do feriado decidimos aproveitar e finalmente ir. Saímos de casa antes do almoço e lá fomos nós, pegando o trem rumo à estação da Luz e de lá para a Praça da Liberdade.
Queríamos comprar basicamente duas coisas: comidinhas japonesas e acessórios para culinária, principalmente gostaríamos de comprar um jogo de mesa para sushis. Sabe aqueles como pratos, hashi, descansos, tigelas… Paula tinha algumas coisinhas, mas como seu falecido não gostava de comida japonesa (sabe-se lá porque) ela tinha peças só para ela e, como gostamos de jantar e almoçar com nossos amigos vez por outra, era necessário um belo jogo.
A primeira coisa que fizemos foi embrenhar-nos em um popular mercado de produtos orientais na Rua Galvão Bueno. Conheço o lugar há anos mas foi a primeira vez que estava com alguém com algum conhecimento de causa para fazer uma compra razoavelmente consciente. No mercadinho compramos guiozas congelados, que La Bruja prepara enquanto escrevo, nori e furikake, além de duas bandejas de shimeji, claros e escuros. Uma coisa que tentamos encontrar sem sucesso foi ume fresco para fazer uma geléia. Isso merece um à parte: encontramos várias conservas da ameixa japonesa ume, mas procurávamos na verdade era Hana Ume, uma descoberta dos imigrantes japoneses tentando relembrar os sabores da terra natal e adaptando a flor da vinagreira que parece exibir um sabor semelhante quando em conserva. Ao final do dia compramos uma porção da ameixinha ume e já descobrimos (palmas para o google) como fazer uma conservinha delas.
Para o almoço fomos ao restaurante no SOGO Plaza onde nos empanturramos de hossomakis, nigiri, uma saladinha de polvo ao vinagrete, bifum e outros nomes complicados. Foi um bom almoço, mesmo com a quantidade grande de gente lá. Parece ser um restaurante bastante popular. Após o almoço tentamos comprar um sake em um empório que deveria ter sido inaugurado em setembro mas nada encontramos. O sake fica para outro dia. Ficamos com um licor de ume bastante saboroso.
Já para o jogo de mesa, encontramos depois de procurar um bocado, uma lojinha perto do SOGO plaza, um jogo bastante bonitinho com motivos de bambú. Tivemos que comprar os descansos para os hashi em outra loja mas tudo bem. O importante é que agora estamos prontos para um belo jantar japonês. Sayonara.

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A ética do café da manhã

A ética do café-da-manhã.

Ovos mexidos, geleias, bananas flambadas, requeijão, frios, pães, café, leite e tudo mais que poderia compor um belo desjejum é uma das coisas que não abro mão aos domingos, especialmente se isso inclui música francesa e o amor da sua vida de companhia. É uma espécie de busca pela satisfação, sua e do outro, e uma maneira deliciosa de vingar-se de uma semana estressante de trabalhos.

Em uma dessas orgias dominicais ouvi um elogio pela mesa bem posta e imediatamente me recordei dos tempos em que confeccionava cestas de café-da-manhã, e de um velho paradoxo que rondava meus pensamentos.

Ao ouvir o telefone atendia prontamente, sempre com uma voz de travesseiro e solícita, era um dos segredos, pois bom atendimento significava bom produto; assim que ouvia o clássico: “_ É daí que entregam cestas de café-da-manhã?”, já imaginava o restante do pedido, somente confirmava, “quero uma de tal valor”-do outro lado da linha-, ao retrucar com perguntas do perfil do presenteado, se homem ou mulher, jovem ou mais idoso, até aí transcorria tudo normalmente, mas, ao indagar sobre se é diabético, gostos pessoais, então caía sobre a usual constatação: o solicitante somente quería algo e não demonstrar um carinho pois não tinha noção sobre como era a vida do homenageado, a saída era fazer outras perguntas mais superficiais e trabalhar com o básico embora vendesse um serviço personalizado, isso me aborrecia profundamente.

Uma maneira de manter alguma sanidade nesse trabalho era analisar a reação do presenteado, se tínhamos uma vovó, as minhas preferidas, clientes que realmente conhecem o que é se alimentar bem; algo que as agradavam eram os laços, duplas laçadas sempre mostrava um cuidado então, nem pensar em economia de fitas, coloridas, aramadas, estampadas, com brilho e rendadas, toalhinhas bordadas com o nome (jamais imaginavam que muitas vezes batia na porta da bordadeira altas horas da noite e rezando pra não levar a porta na cara) e o trivial, garrafinha térmica com leite na temperatura ideal, flores, frutas, geléias, pão de queijo, amanteigados e como diría minha mãe: “_ um monte de bagumelos mais”, e para finalizar um lindo cartão com uma caligrafía impecável escrito…por mim, poucos clientes queríam ou se interessavam por esses detalhes. Produtos que saltavam aos olhos e quem os desfrutasse com certeza se deleitaria. O último que tinha noção do que estava sendo entregue era o cliente, ou seja, “o interessado”, o lógico é você se preocupar por um serviço pago e perguntar como foi a entrega e recepção do produto, o que não ocorria, e já que Maomé não vai a montanha, a montanha vai a Maomé, ao perguntar posteriormente sobre o serviço também a resposta era padrão: “_ Hã…, sim, sim, gostou muito.” ou “_Sabe que eu esquecí de perguntar?”

Acredito que por mais que um ser seja restrito quanto à comida e desjejue pão, manteiga e café, quando pensamos no ser ou seres amados oferecemos o melhor pão, uma manteiga especial e o café mais aromático que conhecemos.

E o respeito à máxima “o café é a refeição mais importante do dia”, negligenciamos para nós mesmos, pelo tempo ou outra desculpa que encontramos, contudo ao se tratar de nossos amados acredito que deveríamos ser muito mais criteriosos, como são as pessoas ao encomendar uma cesta erótica; escolhem lingeries, brinquedos, flores (ou legumes), jóias e quitutes com uma exigência de mordomo inglês, não acreditariam se lhes contasse o que já passei em motéis só para valer que o cliente sempre tem razão, desde montar cenários exóticos até distrair uma presenteada até que seu amante chegasse até o local. Então só posso deduzir que, era uma questão de egoísmo, no fundo, puramente para suprir desejos primitivos, a satisfação de uma noite fortuita e fugaz ou de manter um orgulho de ouvir do presenteado:

“_ Muito obrigado, adorei”, com o mesmo orgasmo de quem presenteou uma cesta erótica.

A vida só vale pelos momentos e por uma outra máxima que é aquela que diz que, ao dividirmos sentimentos, multiplicamos alegrias e oferecer-se, prestar mais atenção no outro, é criar e fortalecer laços tão frágeis e idealizados.

Graças a Deus a febre deste tipo de serviço sucumbiu me impulsionando para outros caminhos tão interessantes quanto e que me proporcionem contar de maneira parnasiana algo tipicamente naturalista.

La bruja andaluza

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Pimenta com cominho.

Não compreendo quando dizem que cozinhar é um dom, compreendo como forma de expressão, assim como um pintor se comunica através de quadros ou um jornalista com seus artigos.

Filmes como “Ratatouille” e “Como água para chocolate” conseguiram que eu entendesse essa estranha manifestação. Sem palavras, me permito dizer dos meus afetos aos meus afetos, as minhas dores aos meus desafetos, é tão intenso ao expressar o amor e tão brando para não excitar a ira (não sou santa, mas é bom seguir este conselho bíblico) daqueles que em algum momento fizeram nascer úlceras em minha alma.

Expressar o vazio de sentimentos ou a frustração é triste lição aprendida pois, os sentidos adormecem aos poucos e a vida perde o sabor, a ciranda de coisas que fazem sentido e a vida ganha um gosto amargo que logo transforma-se em adjetivo pessoal.

Um dia adentrando a cozinha percebi o velho perfume aromático, tão íntimo, forte e conhecido. Minha bancada com os ingredientes dispostos, começaram a ganhar formas sensuais, colorido alegre e definido, sem nuances acinzentadas. Mãos adormecidas e todo o tato produziram uma ode ao amor que voltou em um tempero quente, único e especial: pimenta com cominho, não era qualquer ingrediente, é o tempero da minha vida.

Quero praticar muito esse tipo de manifestação, nada sem prática leva a perfeição, ser entendida pelo paladar, pelo olfato, por textura ou apresentação; já que não encontro palavras, busco esta “alquimia” para dizer o quanto me encanto por este sabor, que redescobri meus sentidos e que minha cozinha seguirá devota a este tempero que salvou uma receita já julgada perdida.

Besos

La bruja andaluza.

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Livros de culinária

Foi-se o tempo que a literatura culinária se restrigira somente a transcrição de procedimentos de cocção exitosa de alimentos.

Atualmente o que vemos é a multiplicação milagrosa de romances culinários (perdoem a minha ignorância mas, há outro termo técnico para este tipo de literatura?), apoio e incentivo qualquer tipo de literatura com “L” maiúsculo mas, temo que duas coisas  sagradas como a alimentação e o direito de estabelecer e concretizar relações familiares à mesa seja banalizado.

Será que estou tão errada assim?

Besos

La bruja andaluza

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Queridos amigos!

Só quero uma varanda.

_ Linda, realmente charmosa! Disse admirada ao contemplar uma charmosa varanda que fica em cima de um dos comércios da região da Rua Augusta. Era uma construção antiga, toda em uma cor palha com detalhes em branco, venezianas e balaustres bem torneados, conservados e pintados; para completar imagino que o piso seja em cerâmica terracota, mas o que fez deseja-las foram as jardineiras com suas flores miúdas e coloridas.

Desejara somente tomar um chá e contemplar o final de tarde chuvoso desde aquele balcão, estar à parte de toda a coreografia ensaiada por multidões ávidas de boemia e quem sabe de alguma cultura.

Emudecer-me diante de sinfonia de sons tão agressivos quando ouvidos sem atenção, mas que aufere novo ajuste quando ouvido de forma carinhosamente cosmopolita.

Ao fim deste rito segurar a mão do ser amado e olhar com doçura em seus olhos como quem procura as mais lindas palavras para expressar o seu amor e ao não poder encontrar-las simplesmente gesticula reverenciando a esse sentimento sagrado.

O perfume das flores se misturando aos aromas do chá de especiarias, suaves sensações tácteis e este tipo de espetáculo vivo e sempre inédito, me fizeram desejar, celebrar o amor em uma espécie de Shangri-la.

 Besos

La bruja andaluza

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